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Sexta-feira, Junho 22, 2007
Posted
10:56 PM
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mateusfl
"Se Deus é infinitamente bom, por que temê-lo?
Se ele sabe de tudo, por que precisamos informá-lo de nossas necessidades e aborrecê-lo com orações?
Se está em toda parte, por que construir templos?
Se ele é justo, por que temer que ele castigue as criaturas que ele encheu de fraquezas?
Se ele é todo poderoso, como ofendê-lo, como resistir a ele?
Se ele é razoável, por que ficaria irritado com os pobres ignorantes a quem deu a liberdade de não serem razoáveis?
Se ele é imutável, por que a pretensão de querer que mude suas decisões?
Se ele é inconcebível, por que perder tempo com ele?
Se ele já falou, porque o universo não se convenceu?
Se conhecer sua vontade é tão importante, por que ele não se faz claro e evidente?
(Percy Byssche Shelley, poeta inglês, 1792-1822, "The necessity of atheism")
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Quinta-feira, Março 01, 2007
Posted
11:47 AM
by
mateusfl
Em minhas andanças por comunidades e debates existenciais postei hoje.
Se eu não fosse ateu.
Dado que Deus se revelasse e tivessemos absoluta certeza disso:
Se Deus existisse eu sentiria conforto.
Eu saberia que há um desígnio para a existência, que tudo é feito e anda interligado por motivos que não compreendo mas posso aceitar como suficientes e corretos, pois teria a plena certeza que o que me aguarda é bom, é verdadeiro, e é contínuo, após minha morte nesse planeta.
Agradeceria por todo conforto que me foi proporcionado pela vida que vivo hoje, e entenderia tudo que vivi de aparentemente ruim como parte de dor necessária ao meu crescimento por um ente maior que sabe o que está fazendo.
Seria mais feliz, pois todas as dúvidas quanto à existência, tempo e espaço, seriam resolvidas para mim assim que eu pudesse entrar em contato com essa inteligência, em algum inevitável momento futuro.
Teria tranquilidade em saber que teria a explicação dos porquês: por que criou o mundo e o homem, o tempo, o espaço, por que as aparentes injustiças e diferenças, por que a dor, e, mais ainda, porque a ausência da capacidade humana em entendê-lo.
Entendo que a busca da humanidade nesse sentido acabaria, e certamente o mundo se uniria em um só.
Mais que isso, pela certeza da salvação não haveria muito mais razões, e as pessoas só não se matariam para abreviar sua estada aqui pois isto seria contrário ao desígnio divino, e pelo temor do inferno. Seria tudo tão claro e óbvio.
Uma vivência tranquila, mas talvez até chata, inutilizada pela absoluta determinação incontornável de que tudo que fez ou fará já é previsto e determinado, e todas suas ações convergem para um fim desconhecido, mas sobre o qual teria convicção.
Seria o fim do mundo de uma certa forma, pois voltaríamos ao criador, após a história da criação de desenvolver e atingir um momento em que ele decidiu se revelar.
Uma situação certamente psicologicamente muito confortável, mas filosoficamente de certa forma até assustadora, pois seria inevitável ao homem necessitar de uma explicação para continuar vivendo. E, qualquer que seja ela, seria para muitos insuficiente.
O homem saberia a quem se dirigir, e a quem perguntar, e contra quem se revoltar pela situação em que está: a situação de incerteza quanto aos motivos de sua existência. Imagino parte da humanidade entrando em choque.
Seria um mundo diferente do nosso. Com certeza. Mas o mundo de hoje, é o mundo da incerteza. É o mundo que não sabe se é Antropocêntrico, Panteísta, Monoteísta, ou parte de uma federação intergalática (!), se é Budista, Islâmico, Cristão, Vodu, Anímico, Mitológico, com fadas e duendes, ou, se é nada disso.
E, para mim, e, acho que para muitos ateus como eu, é um mundo de possibilidades. Porque, pessoalmente, não acredito, mas entendo a história da religião e das relações sociais e da necessidade de um suporte psicológico. Mas não deixo de procurar. Rejeito a explicação atual, por isso sou ateu, mas não sou tolo de rejeitar qualquer explicação a não ser a da matéria e me fiar apenas em uma vivência do atual estágio tecnológico da civilização, pois, da mesma forma, sempre se provou uma postura ignorante historicamente.
O homem via a terra como plana, etc. As teorias são superadas, as explicações melhoradas, a criatividade é grande, mas os grandes mistérios ainda permanecem os mesmos.
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Sexta-feira, Fevereiro 02, 2007
Posted
2:14 AM
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mateusfl
Recebi um email hoje que faz a gente parar pra pensar. Como se eu já não fosse filósofo o suficiente. Em uma entrevista para uma revista, um médico que cuida de pacientes terminais contou que diariamente no local em que trabalhava morriam oito a dez pacientes. A maioria deles pegava o médico pela camisa e dizia que não podia deixar ele morrer, pois ele se sacrificara tanto a vida toda e não poderia aproveitar.
Existem quatro loucuras na sociedade.
A primeira é instituir que todos tem de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais.
A segunda é dizer que você tem que estar feliz todos os dias.
A terceira é que todos temos que comprar tudo o que pudermos. O resultado é esse consumismo absurdo.
A quarta é que você tem que fazer as coisas do jeito certo. Mas jeito certo não existe. Não existe um caminho único para se fazer as coisas.
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Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007
Posted
5:24 AM
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mateusfl
Quem acha que não se pode sentir falta do que não viveu não vai entender o que digo aqui. Sinto falta das mesinhas de madeira na esquina. A boemia, o companheirismo sem malícia, e um tempo de filosofia pura e simples. Não é que não posso mais, é que não me lembro de alguma vez ter tido. Não desse jeito.
Eu vi da janela do ônibus, e várias vezes, voltando pela Teodoro, a vida noturna de São Paulo em Pinheiros. No meio daquela gente diferente você vê o cara sentado na mesinha, vem o outro e o cumprimenta numa boa. Aí eles estão lá conversando. E tem a mesa do lado mais mista, umas duas meninas e uns outros, e mais outras. Eles simplesmente chegam andando e sentam. Simplesmente pedir um lanche, uma coca, qualquer coisa, e só ficar ali. E sabe que horas são? Onze e meia de uma terça feira, sei lá. Eu to voltando pra casa e o cara lá numa nice. E, sabe duma coisa, eu queria era estar lá. Você passa a vida querendo chegar num lugar em que o cara já tá.
Felicidade é saber que você vai chegar no fim do dia e trocar idéia com seus amigos, numa mesinha de madeira, numa esquina cheia de outras pessoas com a mesma energia, e sem maiores problemas. E depois vai dormir. E no outro dia, se você quiser, você vai lá de novo. E isso é parte do resto da vida.
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Domingo, Agosto 07, 2005
Posted
11:04 AM
by
mateusfl
já se afirmou que a maior dor do homem é quando ele chora ao olhar para o passado, sofrendo pelo futuro que nunca teve.
sou um romântico, e o futuro que nunca tive é aquele que sempre idealizei.
o passado que nunca tive pareceu me chegar agora em uma pequena dose.
descaracterizado, penalizado por sonhar em tempos de cinismo, preconceito, e de ismos e istas.
obrigam-nos ao mecanicismo com golpes de concreto.
para Schopenhauer toda a vida é sofrimento porque é um constante querer eternamente insatisfeito.
hoje sofro por um não querer mutado em inegável afirmação, saciado momentaneamente, e tirado de mim.
acordo à noite, assombrado por uma dor aflitiva e cruciante que atribuo apenas ao modo transviado em que funciona minha mente. só não sei afastada de que moral. se da moral do meu romantismo, meu diletante apego a um passado que não existe, ou de uma moral contemporânea ditada pelo uso e perco, tento e faço, do nada importante, fácil desapego e desconsideração.
pergunto-me se tenho uma mente doente, se assim não fosse não me doeria tanto, ou se simplesmente amo demais.
porque se todo ser humano passa como eu quando se envolve, triste vida desse século. dos sofrimentos e inconstâncias.
via crucis que nos marca, de pesar incontestável pela condição do inconformado.
é a perene falta do que não volta.
mas um não recuperável que apresenta solução somente vivendo-se um presente suficientemente bom para nos distanciar dessas reflexões. se basta estar vivo para morrer, é sanar a dor da vida vivendo ou passar o inferno até a morte, quando não se encontra outro modo de se desligar do que já foi.
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Quinta-feira, Setembro 30, 2004
Posted
4:31 AM
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mateusfl
olho-a e o abraço é tão intenso, tão infinito no meu peito que a existência acaba ali. Nos domínios da imaginação de uma idéia forte, numa vida assim que só encontra sentido nela mesma.
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Quinta-feira, Setembro 09, 2004
Posted
2:04 AM
by
mateusfl
que lindos os pés numa sandalinha
e um short de pano
fico louco só de ver
o verão dos loucos no Brasil
nesse país de desbocados
dos mendigos, dos descarados
em cada ônibus
em cada vida
pela janela cada mulher é linda
viver é viver no paraíso das sinestesias
onde cada joelho e cada perna feminina
são visões tão prefumadas
têm as formas mais decantadas
são os colos tão detalhados
e os cachos mais alinhados
os lisos e os arrumados
os presos e apertados...
na continuação do tornozelo à canela
na transição do pescoço ao colo
e em cada maravilhosa nuca descoberta
até que cada poeta que já tenha escrito
e visto o mesmo que eu
tenha suspirado mil vezes
sem perder o ímpeto
querendo elogiar
e elogiar
por segundos intermináveis
em toda natureza
e toda dignidade da beleza
vai-me o tino
e só me sobra o espanto
demais a visão
a carne, a não razão
que lindos os pés numa sandalinha
e o grito do sol
no calor que as despe
a brisa suave do ar quente
a pele vibrante
todo cantinho palpitante
por cada pelinho ondulante
em todo sentido,
falante: vem-me
sem trégua, acachapante
cada pinta no lugar
pequeno e atraente ponto
fora dali um respingo
no contexto um absurdo
tão sensual, apoteótico
aquele minúsculo pedacinho
no pescoço, no braço,
na perninha dela
no antebraço, na coxinha, na canela
cada lábio asseado
olhar emprestado
olho no olho, na boca
e no olho de novo
sem anunciar
sem falar nada
ela me diz
o sonho com cada uma delas
num diálogo sem voz
tão lindas as vivas cores nelas
num incalculável momento
de vontade
e perfeito desejo de cada segundo
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